Sociedade Princesina de Ciências Astronômicas ®

sexta-feira, 26 de março de 2010

Conjunção de Manchas, do SpaceWeather.com

Um astrofotógrafo dos Estados Unidos conseguiu registrar essa conjunção rara da Estação Espacial Internacional (ISS) com um agrupamento de manchas solares.

Detalhe: as manchas distam 150.000.000 de km da Terra, e a ISS apenas 6,2 km. Desse modo, podemos imaginar o real tamanho das manchas!

quinta-feira, 25 de março de 2010

[Sky & Telescope] Astro-geeks e astroholics

Este artigo saiu na revista Sky & Telescope (uma das principais publicações de astronomia do mundo) do mês de abril de 2010. Achei muito bom e fiz uma tradução que compartilho com vocês logo abaixo.

(Sky & Telescope) Tenho certeza que a maioria dos leitores da Sky & Tellescope, como eu, amam a astronomia amadora e sentem prazer em compartilhar seu entusiasmo com outras pessoas. Em nosso entusiasmo para convertê-las, podemos falhar ao esclarecer as pessoas sobre as ciladas do nosso hobby. Especificamente, nós devemos isso aos potenciais “newbies” (novatos) para avisá-los do risco de se tornar um “astro-geek”. Aqui está minha lista Top 10 de modos de saber se você é um astro-geek:
10. Você não apenas sabe o que é um Schiefspiegler, como também sabe como soletrar isso.
9. O principal critério na hora de comprar um carro é se seu telescópio irá caber dentro.
8. Você possui mais do que um telescópio.
7. Sua idéia de um grande presente é um colimador laser com barlow.
6. Seu telescópio vale mais do que seu carro.
5. Você se preocupa apaixonadamente se Plutão é um planeta ou um planeta anão.
4. Seu relógio de pulso está regulado para o Tempo Universal.
3. Você substituiu as luzes interiores do seu carro por lâmpadas de luz vermelha.
2. Seus animais de estimação são batizados com os nomes de crateras lunares.
1. Você perguntou a sua namorada se ela gostaria de fazer um passeio pelo campo para ver estrelas... E você realmente olhou as estrelas.

Nós deveríamos alertar ao potencial “newbie” sobre os riscos de saúde do nosso hobby, e eu não estou falando da “febre por abertura”. É quase desnecessário dizer que a maioria dos astro-geeks são privados de sono. Esta pastosa complexão pode ser sintoma de um problema muito mais sério: anemia. Nestas noites quentes de verão, enquanto você estiver absorto na ocular, mosquitos podem estar sugando o seu sangue. Observadores de Minnesota deveriam estar particularmente alertas com relação a esse ponto.

Falando de Minnesota, hipotermia pode ser um problema real para aqueles que observam durante o inverno. Se você não se preocupa com a sua aparência, é possível se vestir com camadas suficientes para manter a temperatura do corpo. Então isto não será problema para você, mas pode ser uma séria conseqüência para o “newbie”. Depois há os riscos de ossos quebrados por cair de uma escada ou tropeçar em um tripé, assim como o risco de voltar com dores por carregar equipamento pesado. Vamos encarar isso; se tivéssemos força, coordenação e balanço, estaríamos praticando esportes.

Muitos de nós desenvolvemos “cobiça telescópica”. Certamente, para alguns, um telescópio é apenas um telescópio, mas outros secretamente almejam por um instrumento maior. Desafortunadamente, tanto quanto o tamanho do telescópio aumenta, o custo também aumenta, bem, astronomicamente. Sem tratamento, o astro-geek com cobiça telescópica pode se tornar um astroholic. O astroholic precisa de telescópios cada vez maiores e maiores, assim como céus mais e mais escuros para ter sua satisfação. O astroholic se torna cada vez mais irritável e depressivo quando o tempo ruim o mantém longe da ocular. Mas mesmo o astro-geek intermediário corre o risco de depressão. Aqueles que experimentaram nuvens na noite da grande tempestade de meteoros Leonídeos, ou logo antes da totalidade, sabem do que estou falando.

Se, depois de alertar o “newbie” sobre as ciladas da astronomia amadora, nosso aviso entrar por um ouvido e sair pelo outro, ainda podemos consolar nosso novo camarada com uma verdade inquestionável: astro-geeks fazem grandes amigos!

---

A despeito das ciladas descritas neste artigo, Mark Stephenson foi um ávido astrônomo amador por 50 anos, e continua ativo apesar de estar oficialmente cego desde a década passada. Ele ainda pode observar devido a uma visão periférica razoavelmente normal.

domingo, 21 de março de 2010

Efemérides da Semana 22/03 a 28/03

Mais uma semana de observações (se o tempo permitir!).

22 - Saturno em oposição (magnitude 0,5);

23 - Brilho máximo aparente do cometa 81P Wild (9,3);

23 - Lua em Quarto Crescente.

24 - Lua próxima a Pollux;

25 - Lua próxima a Marte (magnitude 0,0) e a M44 (Aglomerado do Presépio);

28 - Perigeu lunar (distância: 361.871 km);

Estação Espacial Internacional
DateMagStartsMax. altitudeEnds
TimeAlt.Az.TimeAlt.Az.TimeAlt.Az.
25 Mar0.105:37:4110SSE05:38:4011SE05:39:3910ESE
26 Mar-2.106:00:1310SSW06:03:0444SE06:05:5310ENE
27 Mar0.004:50:4810SSE04:51:5512SE04:53:0310ESE
28 Mar-2.305:14:3922SSW05:16:1346SE05:19:0210ENE
28 Mar-0.519:58:1610NNW19:58:3612NNW19:58:3612NNW

Satélites Iridium
DateLocal
Time
Intensity
( Mag)
Alt.AzimuthDistance to
flare centre
Intensity at
flare centre
(Mag.)
Satellite
25 Mar04:49:12-437°337° (NNW)10.5 km (W)-8Iridium 70
27 Mar06:22:00-247°20° (NNE)18.0 km (W)-8Iridium 26
28 Mar06:15:58-746°20° (NNE)3.7 km (E)-8Iridium 23




sábado, 20 de março de 2010

(Correio Braziliense) Astronomia e o trabalho dos amadores

A astronomia é uma das áreas do conhecimento mais beneficiadas pelo trabalho de amadores

Observadores anônimos descobrem novos corpos, como asteróides e supernovas, e fornecem dados fundamentais para as pesquisas sobre o espaço


(Correio Braziliense) Noite escura e céu aberto. É o que basta para Marcelo Domingues montar seu observatório particular — um telescópio com uma câmera acoplados a um computador — no quintal de sua casa, no Grande Colorado, em Brasília. Sentado numa cadeira de praia, o servidor público de 38 anos passa cerca de cinco horas observando a imensidão do espaço sideral. É dali que ele registra imagens dos objetos astronômicos que mais o atraem, os cometas. “É como um vício. O meu começou com a passagem do cometa Halley, em 1986. Porém, só aos 31 anos consegui montar todo o meu equipamento e observar sistematicamente os cometas. Não vou parar nunca”, conta.

Domingues é um dos milhares de astrônomos amadores existentes no Brasil. Divididos por gostos, mas unidos pela paixão pelos mistérios do Universo, esses homens e mulheres são na sua maioria anônimos que levam a sério o hobby de estudar o espaço. Alguns se dedicam apenas a fotografar ou a acompanhar cometas e meteoros, como é o caso de Marcelo. Outros preferem sair à caça de supernovas e galáxias próximas. O fato é que todos os tipos de observação acabam contribuindo de forma efetiva para a ciência.

Enquanto os profissionais precisam escrever um projeto e conseguir apoio financeiro para pagar o aluguel de um observatório profissional, no qual permanecem por dois ou três dias, os amadores têm a possibilidade de observar o espaço a qualquer momento, durante o ano inteiro, se quiserem. “Dessa forma, eles acabam reunindo uma quantidade muito maior de dados sobre alguns objetos astronômicos ou até revelando supernovas, ou mesmo a órbita de um asteroide”, diz Augusto Daminelli, astrônomo do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG/USP).

Um exemplo dessa contribuição foi a descoberta de uma supernova feita pelo Grupo Brasileiro de Busca de Supernovas (Brass, na sigla em inglês), formado apenas por amadores. A nuvem brilhante era exatamente o objeto de estudo de Daminelli. “Esse grupo amador me trouxe dados que, talvez, eu jamais conseguiria obter. São estrelas com mais de 300 anos que ajudam a contar a história do Universo. Algo importantíssimo”, revela o especialista da USP. “Isso demonstra a importância do diálogo entre amadores e profissionais.”

Segundo Daminelli, diversos asteroides, cometas, estrelas e supernovas têm sido descobertos por amadores, enquanto os profissionais realizam os estudos mais aprofundados sobre a natureza desses objetos. O que, para Tasso Napoleão, membro da Brass, fortalece o diálogo e ajuda à ciência. “Astrônomos amadores são parceiros dos profissionais. Além disso, a ciência não se constrói com uma pessoa. O que fazemos são pequenos avanços com a colaboração de todos. Nossa remuneração é ver nossas descobertas publicadas nos artigos dos astrônomos profissionais”, conta, entusiasmado, Napoleão, também presidente da Rede de Astronomia Observacional do Brasil (REA-Brasil), outra organização de observadores amadores.

Tecnologia
Reunidos em grupos ou mesmo solitários, esses dedicados estudiosos compram, montam e até criam seus próprios equipamentos de observação. “Com o avanço da tecnologia e, consequentemente, seu barateamento, conseguimos montar observatórios com câmeras de alta sensibilidade, telescópios de alto alcance e computadores com softwares para processar os dados”, explica Cristovão Jacques, que faz parte do Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais (Ceamig). Jacques, 47 anos, é engenheiro civil e físico. Foi ele quem desenvolveu o telescópio do observatório amador mineiro, que fica na Serra da Piedade, a 60km de Belo Horizonte. Sozinho, ele descobriu 16 asteroides — 13 deles só em 1999, quando surgiu o Ceamig. “Observo o espaço desde os 14 anos, quando fiquei fascinado pelo brilho da Estrela d’alva (o planeta Vênus). Escolhi os asteroides (1) porque eles são mais acessíveis à observação amadora e têm necessidade de serem investigados”, justifica.

Asteroides, meteoros e cometas são os únicos objetos astronômicos que o descobridor pode nomear (2). “À minha primeira descoberta, dei o nome de Wykrota, sobrenome do casal que fundou nosso observatório. Mas também tem o asteroide Marcos Pontes, em homenagem ao primeiro astronauta brasileiro a ir ao espaço”, conta Jacques. Tantas descobertas deram ao engenheiro civil credibilidade. Hoje, ele participa do grupo internacional amador ligado à Agência Espacial Americana (Nasa) que patrulha o espaço em busca de imensos asteroides (com mais de 10km de diâmetro) que possam ameaçar a Terra. Além disso, Jacques faz parte da REA-Brasil e da Brass.

Contemplação
Entre os astrônomos amadores, há aqueles que preferem apenas contemplar solitários o Univesro. É o caso de Paulo Cacella. O engenheiro elétrico e servidor do Banco Central foi o primeiro brasileiro a descobrir uma supernova (3), de um jeito quase improvável: sem querer. Cacella vasculhava o espaço quando lembrou-se de uma das primeiras galáxias que fotografou quando comprou o CCD (aparelho que captura imagens do computador). Logo no primeiro registro, notou uma pequena estrela próxima ao núcleo da galáxia. ‘‘É uma supernova’’, disse a si mesmo.

A posição era suspeita, mas era preciso conferir todas as demais hipóteses. Poderia ser um asteroide, uma estrela da Via Láctea superposta na imagem ou mesmo um defeito no equipamento. O que Cacella não sabia era que aquela era uma supernova desconhecida e que ele era o primeiro astrônomo a vê-la. ‘‘Astronomia, sonhos, desejos, imagens, estética, prazer e música são drogas mais poderosas que qualquer química inventada pelo homem’’, diz Cacella, tentando descrever o que sentiu no instante de sua descoberta.

Já o servidor público Wilton Ferreira da Costa, 52 anos, observa o céu há 29 e ainda não teve a sorte de descobrir algum objeto. Sua paixão são os asteroides pequenos. “Conhecemos muito pouco os de pequeno tamanho. A estimativa é que possam existir mais de 1 milhão, com cerca de 1km de diâmetro. Há muito a ser descoberto”, afirma. Costa acrescenta que a astronomia torna as pessoas mais humildes quando se deparam com os mistérios e a grandeza do espaço. “Observar o céu nos leva a ter uma melhor noção da imensidão do Universo e da beleza dos seus objetos, além da mecânica celeste que os envolve. A cada observação, fico igualmente impressionado, como da primeira vez. Contudo, o mais impressionante é saber o quanto somos pequenos diante de toda essa imensidão.”


1 - Evolução
A supernovas são estrelas em explosão, que expelem uma nuvem brilhante e de muito interesse para os astrônomos, por conter informações sobre a evolução do Universo. Uma supernova possui todos os elementos da tabela periódica; consequentemente, pode causar a extinção de seres ou levar a um processo que resulte na geração de vida.

2 - Políticos, não
A União Astronômica Internacional une as sociedades astronômicas nacionais do mundo e integra o Conselho Internacional para as Ciências. A IAU é responsável pela nomenclatura de estrelas, planetas, asteroides e outros corpos e fenômenos celestes. Não é permitido, porém, dar nomes de políticos e é preciso justificar a escolha. Os dados obtidos pelos amadores são passados via internet à IAU, que os repassa aos astrônomos profissionais para serem ou não validados.

3 - Resíduos
Os asteroides são resíduos do material deixado para trás quando houve a formação do Sistema Solar, há 4,6 bilhões de anos. A astronomia conhece 99% dos asteroides com mais de 100km de diâmetro. Já no intervalo entre 10km e 100km de diâmetro foram catalogados praticamente metade deles. Os astrônomos estimam que possam existir mais de 1 milhão de asteroides com cerca de 1km de diâmetro.

quinta-feira, 18 de março de 2010

4a Noite Internacional da Astronomia de Calçada!

A SPCA realiza neste sábado, dia 20/março, uma Observação Pública (participação gratuita) no Parque Ambiental de Ponta Grossa. Serão observados os planetas Marte e Saturno, e com destaque especial para a Lua, que exibindo um fino crescente, estará bastante próxima do aglomerado estelar aberto das Plêiades, proporcionando um belo espetáculo. Poderão ser observados ainda muitos objetos interessantes como aglomerados estelares e estrelas duplas, e os participantes também poderão esclarecer as suas dúvidas a respeito do Universo.

O evento faz parte de uma grande celebração astronômica internacional, a 4a Noite Internacional da Astronomia de Calçada (conhecida pela sigla ISAN: International Sidewalk Astronomy Night), onde grupos de astrônomos autodidatas em diversos países irão realizar atividades buscando a divulgação e o ensino da astronomia. Venha, descubra o Cosmos através dos instrumentos e participe desta grande festa mundial da astronomia amadora!

As atividades da SPCA terão início a partir das 18 horas. Se o tempo estiver chuvoso ou com o céu muito nublado, infelizmente a atividade terá de ser cancelada. A primeira observação pública planejada para este ano de 2010 já teve de ser cancelada devido ao mau tempo, mas felizmente desta vez a meteorologia está indicando que o tempo estará bom. Segue abaixo o cartaz do evento: