Sociedade Princesina de Ciências Astronômicas ®

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Chuva de meteoros Alfa Aurigídeas


Na madrugada de hoje (terça, dia 31) para amanhã (quarta, dia 01 de setembro), será o máximo da chuva de meteoros Alfa Aurigídeas, que é uma das chuvas mais intrigantes. A taxa horária zenital, isto é, o número de meteoros que uma pessoa veria ao observar em um local razoavelmente escuro quando o radiante estivesse exatamente acima de sua cabeça, é de apenas 6 meteoros por hora, o que a princípio faz dela uma chuva desinteressante.

Em 2007, porém, esta chuva surpreendeu a todos atingindo incríveis 130 meteoros por hora; então vale a pena, para quem tiver disponibilidade, pelo menos verificar como será a chuva este ano. É importante lembrar que a poluição luminosa atrapalha e muito, e dependendo do nível dela, mesmo que os meteoros estejam passando, talvez não seja possível observá-los por causa dela (grande parte dos meteoros são fracos demais para ser observados em um céu poluído); por isso, eu particularmente considero que só vale a pena perder a noite de sono para acompanhar uma chuva como essa se o lugar de observação possuir o horizonte desimpedido e razoavelmente pouca poluição luminosa.

Na expedição a Itaiacoca que ocorrerá no próximo fim de semana, irei fazer o registro de todos os meteoros avistados e prestando atenção na constelação em que se originaram; talvez a atividade dessa chuva se extenda até lá, e caso ainda haja algum Alfa Aurigídeo para ser observado, ele com certeza aparecerá em nossos registros!

Falando especificamente da observação hoje, há mais um empecilho: a Lua, que estará com 55% do disco iluminado e se encontrará razoavelmente próxima do radiante, podendo ofuscar os meteoros mais fracos. O radiante começa a se elevar no horizonte NORDESTE a partir das 3 da manhã, e a melhor hora pra observar será entre 4 e 5 da manhã quando o radiante estiver mais alto (porém, o radiante mesmo nesse momento estará apenas uns 20 graus acima do horizonte, então faz-se necessário um horizonte norte-nordeste realmente desimpedido).

O mapa no início do post irá ajudar a localizar o radiante. Não será difícil pois este fica bem próximo de Capella (a Alfa de Auriga, que dá nome à chuva), uma estrela muito brilhante que se destaca no céu. As estrelas mais brilhantes de Gêmeos, Órion e Touro também irão ajudar na localização.

Infelizmente hoje não será possível para mim me aventurar a observar esta chuva, devido aos compromissos do trabalho e do estudo e principalmente porque não disponho de um local adequado (com horizonte livre). Mas talvez algum outro membro da SPCA consiga observar a chuva hoje.
Céus limpos a todos!
Cristopher.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Discos voadores existem?

Li este artigo na Folha e achei interessante publicá-lo no blog. Eu sei que muitas pessoas que o acessam ficam com "um pé atrás" no assunto. Apesar de longo, o artigo é bem escrito e de leitura rápida. C. G. Chrestani

da Folha.com.br

Ao longo dos últimos 11 anos, já escrevi colunas contra a homeopatia, a astrologia, a psicanálise e tudo o que me parecesse manifestações de pseudociência, mas nunca me ocorreu falar mal dos ufólogos. Na verdade, nunca achei que fosse necessário, pois sempre imaginei que os perseguidores de contatos imediatos não passassem de uma microminoria daquelas bem exóticas. Assim, foi com surpresa que tomei conhecimento de que se trata de um grupo não tão diminuto. Eles contam com uma publicação bem produzida, a revista "UFO", que existe já há 27 anos e diz tirar 30 mil exemplares por mês. Já o site tem, segundo seus mantenedores, uma média de 25 mil visitas diárias. Mesmo que nem todos os compradores e internautas sejam ufólogos de carteirinha, é lícito concluir que bastante gente se interessa, ainda que apenas antropologicamente, pelo fenômeno. É o caso, portanto, de gastar uma coluna com ele.

Antes de prosseguir, um alerta. Ao contrário de religiosos em geral, não pretendo impor minhas crenças a ninguém. Se os caçadores de alienígenas extraem prazer dessa atividade, meu conselho é que aproveitem. É claro que eu não acredito, mas tampouco acredito em Papai do Céu e nem por isso recomendo aos fiéis que faltem à missa. A questão aqui é que os ufólogos estão fazendo um juízo verificável sobre o mundo. Eles afirmam que espécies alienígenas inteligentes visitam regularmente a Terra e até sequestram alguns de nós de vez em quando. E isso, ao contrário da hipótese divina, pode em princípio ser comprovado ou desmentido. Se discos voadores não existem, como parece ser o caso, é preciso afirmá-lo com toda a clareza. Uma das missões da ciência é reduzir o número de ficções que se pretendem reais em circulação na sociedade.

Passemos, então, ao exame da matéria. Objetos voadores não identificados, abduções e alienígenas. O que há de cientificamente palpável nessas histórias e o que é fruto de delírio? A crer em estudos que receberam o crivo da ciência, podemos praticamente descartar os dois primeiros como miragens, interpretações equivocadas de fenômenos conhecidos e manifestações psiquiátricas. Já a existência de vida fora da Terra é objeto de alguma pesquisa e intensa especulação.

Comecemos, porém, pelo começo. A ideia de outros mundos habitados é antiga. Ela já recebeu o apoio de filósofos tão diversos como Tales, Epicuro, Kant e Benjamin Franklin. A notável exceção é Aristóteles, que negava a possibilidade de haver outros universos. Na esfera religiosa, a situação não é muito diferente. O hinduísmo praticamente requer outros planos de existência que se comuniquem com o nosso. No judaísmo, o Talmud fala nos 18 mil mundos. O Corão também traz passagens sugestivas de uma pluralidade de mundos. No catolicismo, embora a igreja jamais se tenha manifestado oficialmente a respeito, ela acabou abraçando, por força da tradição, o modelo aristotélico-ptolomaico, que rejeita os discos voadores.
Mesmo nós céticos somos forçados a reconhecer que civilizações avançadas, ETs e viajantes interplanetários rendem excelentes histórias. E boas histórias sobrevivem até mesmo quando contrariam as evidências.

Se o espaço sempre deslumbrou o homem, Marte está entre os corpos celestes que mais fascínio provocaram. Seu tom vermelho-sanguíneo o fez ser frequentemente associado à morte. Os babilônios o chamavam de Nergal, seu deus da morte e da pestilência. Para os gregos, era Ares, o deus das batalhas. Os romanos o batizaram de Marte, deus da guerra.

Nem a suposta objetividade da ciência e de seus instrumentos conseguiu romper a aura de encantamento que paira sobre o planeta vermelho. Ao contrário, contribuiu para aumentá-la. Em 1877, o astrônomo italiano Giovanni Schiaparelli descobriu pequenos sulcos na superfície do planeta que chamou de "canali" (canais). O termo foi erroneamente traduzido para o inglês como "canals" em vez de "channels". No idioma de Shakespeare, "canal" designa principalmente os canais artificiais usados em irrigação.

A novidade deu lugar a todo tipo de especulação. O orientalista e astrônomo norte-americano Percival Lowell divulgou a crença de que os canais levavam água derretida dos polos para irrigar os campos e abastecer as cidades marcianas. Tal teoria, é claro, já contrariava observações de astrônomos melhores, segundo as quais a atmosfera marciana era rarefeita demais para comportar uma civilização, mas isso não importava. Ganhava força aí o clichê, que até hoje sobrevive no imaginário popular, dos homenzinhos verdes de Marte.

Mesmo depois que as primeiras sondas dos programas Mariner e Viking chegaram a Marte nos anos 60 e revelaram um planeta totalmente desolado sem canais nem homenzinhos de nenhuma cor, o mito marciano segue resistindo, na forma de planeta a colonizar, proposta defendida, entre outro, pelo físico Stephen Hawking.

Voltemos, contudo, aos discos voadores. A ideia de que extraterráqueos nos visitam a bordo de naves avançadas é bem datada. Ela surgiu em 1947 nos EUA, depois que o piloto de aviões Kenneth Arnold relatou ter avistado objetos voadores não identificados (óvnis). Nos anos 50, os relatos de visões e encontros adquiriram um padrão epidêmico.

Pacientemente, a Força Aérea dos EUA (no que depois foi imitada por aeronáuticas de outros países) pôs-se a registrar e investigar várias centenas dessas histórias, que resultaram no Projeto Signs, que depois se tornou Projeto Grudge, que virou o Projeto Blue Book.

Em 1966, a Universidade do Colorado escolheu 56 desses casos para estudar melhor, sob o comando do físico Edward Condon. Dois anos depois, o relatório intitulado "Estudo Científico dos Óvnis" concluía que não valia a pena seguir pesquisando esse tipo de fenômeno, que, como já disse acima, envolve quase sempre a uma interpretação errônea de eventos atmosféricos ou artefatos voadores de fabricação terrestre. A conclusão foi referendada pela Academia Nacional de Ciências.

Isso significa que os óvnis já foram considerados seriamente pela ciência e descartados. É claro que ninguém pode afirmar de forma apodítica que não existem naves espaciais alienígenas, mas elas já foram procuradas de forma mais ou menos metódica e não foram encontradas, o que é um indício bastante razoável de inexistência. Com muito menos "provas" a maioria dos adultos descartamos Papai Noel.

Uma outra forma de pôr a questão é o paradoxo de [Enrico] Fermi, no qual o físico italiano perguntava: se alienígenas extraterrestres são comuns, por que não são óbvios? "Onde estão eles?", na frase que ficou celebrizada.

Para responder a essa pergunta, entusiastas dos óvnis costumam recorrer a toda sorte de teorias conspiratórias, como a de que governos escondem as evidências e até mesmo alguns ETs. Foi assim que surgiram lendas urbanas como a da Área 51 e o ET de Varginha.

Evidentemente, o fato de não termos encontrado nenhum disco voador não significa que não exista vida fora da Terra. Há uma disciplina científica, a astrobiologia, que se dedica a esse tipo de busca, seja na forma de vida inteligente, seja, mais modestamente, como micróbios.

Na primeira categoria estão iniciativas como o Seti, que procura por sinais de rádio oriundos de planetas distantes. Foram 40 anos de decepcionante silêncio. É claro que 40 anos não são nada diante da vastidão do Universo, uma civilização alienígena que esteja nos confins do espaço seria, em termos práticos, uma civilização para nós não existente.

Na segunda, estão as sondas que despachamos para vários pontos do sistema solar. As que foram a Marte, por exemplo, embora não tenham encontrado ainda bactérias vivas ou mortas, revelaram indícios que reforçam a suspeita de que pode haver ou ter havido ali atividade microbiana. Outros candidatos a comportar vida são os satélites Europa e Titã.

O pressuposto de ambas as buscas é o princípio da mediocridade, defendido, entre outros, pelos astrônomos Carl Sagan e Frank Drake: se existe vida na Terra e ela é um planeta sem nada de excepcional, deve haver seres vivos em muitos mundos.

Contrapõe-se a ele a hipótese da Terra rara, elaborada pelo geólogo e paleontologista Peter Ward e pelo astrobiólogo Donald Brownlee, segundo a qual o surgimento de vida multicelular é um evento menos comum do que supõe o princípio da mediocridade, pois depende de uma combinação improvável de fatores astrofísicos e geológicos e não apenas da química, a qual parece distribuir-se de forma mais democrática pelo Universo.

A Terra rara é uma resposta convincente ao paradoxo de Fermi e ao silêncio do Seti, mas ela nos deixa mais solitários no Universo. Pensando bem, isso talvez não seja uma má ideia. Se existem aliens com capacidade tecnológica para construir discos voadores, é prudente ficarmos longe deles. Mesmo que viessem munidos das melhores intenções, quando civilizações em diferentes estágios de desenvolvimento tecnológico se encontram, a mais atrasada tende a levar a pior. Foi isso pelo menos o que aconteceu na Terra, como o provam a história das Américas, da África, da Oceania...


Hélio Schwartsman, 44 anos, é articulista da Folha. Bacharel em filosofia, publicou "Aquilae Titicans - O Segredo de Avicena - Uma Aventura no Afeganistão" em 2001. Escreve para a Folha.com.


terça-feira, 24 de agosto de 2010

Mais um impacto em Júpiter

do SpaceWeather.com
video

Separados por 800 km e sem se conhecerem, dois astrônomos amadores japoneses compartilharam a visão de mais um impacto sobre a superfície de Júpiter na sexta passada, dia 20. Como vem ocorrendo desde o ano passado, uma série de impactos estão sendo registrados de tempos em tempos, possibilitando a muitos amadores contribuir com a evolução das ciências astronômicas. E isso tende a aumentar com a popularização das tecnologias empregadas nas observações astronômicas.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

A Lua está encolhendo como uma maçã velha.




A Lua está encolhendo como uma maçã velha, revelam imagens da NASA, que explica esta contração pelo resfriamento interno. Mais detalhes em:

Foto Sergio Carbonar

Câmara Nikon D60

17/08/2010


http://br.noticias.yahoo.com/s/afp/eua astronomia

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Quando duas tempestades se encontram...


Hoje, próximo da meia-noite, poderemos ver duas grandes tempestades se encontrando na atmosfera de Júpiter. Trata-se da Grande Mancha Vermelha (tempestade descoberta por Galileu Galilei) se aproximando da tempestade conhecida como Oval BA (descoberta a menos de 10 anos), localizada na faixa logo ao sul da Grande Mancha.

Com um telescópio refletor de 100 mm e um olho atento será possível ver o encontro de forma precária. No entanto, para quem nunca viu a Grande Mancha, esta será a oportunidade única em nosso límpido céu de inverno.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Persídeos na Hungria

O confrade Cristopher encontrou esse vídeo fantástico da chuva de meteoros Persídeos, que ocorreu semana passada. Vejam:

domingo, 8 de agosto de 2010

Observação Aeroporto Sant'Ana 07/08/2010

Clique na imagem para aumentá-la.

A idéia de fazer uma observação no sábado partiu de forma despretensiosa, esperando, em realidade, uma negação de meu superior. Mas o fato foi que eu ateei o fogo da vontade de contemplar os astros em meus confrades, e tive que arcar com as consequências, que não poderiam ser melhores.

Chegamos no Aeroporto Sant'Anna com o Sol tocando o horizonte oeste, se escondendo para lá dos meandros do Tibagi, uma poncã gigante sendo oferecida aos amigos orientais que entravam no novo dia. Estudamos o terreno para que nada nos surpreendesse quando estivéssemos velados pela luz das estrelas (para saber mais sobre o episódio da cobra, clique aqui).

Felizmente, nada de surpreendente aconteceu, a não ser o aparecimento de um telescópio de 250 mm, SkyWatch, que nos deixou consideravelmente felizes. O Sr. Arnaldo, amigo do confrade Osvaldo (que possui muitos amigos com nomes semelhantes), o adquiriu há algumas semanas e nos brindou com excelentes imagens da Eta Carinae, Galáxia do Sombrero, M3, M8, M6, Mercúrio, Vênus, Saturno, Marte, Urano e um espetacular Júpiter, com excepcional visão das faixas que adornam o gigante gasoso.

Iniciamos o desmonte dos equipamentos influenciados pela aproximação da bruma que pairava sobre os charcos à nossa volta. Nossos binóculos ficaram inutilizados com a membrana aquosa da condensação, assim como as lunetas buscadoras. Relutantes, fomos vencidos pelo cansaço, frio, fome e, nesse dia especial, pela umidade. Mas, como tantas outras, essa foi mais uma observação memorável que a SPCA pode realizar.

Foto de Mauricio José Kaczmarech.



sábado, 7 de agosto de 2010